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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

MINHA FANTASMA E EU - FRAGMENTO - QUESTÕES

 

MINHA FANTASMA E EU

O REENCONTRO

 

           Dois homens carregavam um grande caixote de madeira do tamanho de um caixão de defunto para dentro da Bai-Bai Serviços Funerários quando um deles ouviu um ruído estranho. Procurou disfarçar, mas o amigo percebeu.

          _ Algum problema, Gil? _ Apesar de trabalhar ali há meses, Téo sentia um certo desconforto com o lugar.

          _Nada não. Deve ser um rato.

          _ O patrão mandou desratizar na semana passada. _ Deu um riso nervoso. _ É impressão sua. Vamos me ajude a colocar ali naquela mesa.

          _ Sinto pela dona Dolores. Ninguém merece ser atropelado em Dia de Finados. O enterro de hoje terá cheiro de vela derretida.

          _ Por outro lado, o cemitério estará todo florido. Não é tão ruim assim. Anda! Ajude-me aqui. Preciso adiantar os documentos no cartório e a gente ainda tem que arrumar o corpo da dona Dolores antes do seu Vagner chegar. Não é porque eles têm pouco dinheiro que ela vai partir toda desarrumada.

          _ Deixa que eu cuido disso. Vai lá resolver a papelada _ ofereceu Giliard, para a alegria do amigo.

          Coitada dessa outra também – Téo lamentou a morte da motorista sob o lençol enquanto procurava os papéis para dar entrada na certidão de óbito. O Fiat era alugado e ninguém sabe quem ela é. A carteira sumiu e parece que perderam o documento da moça na empresa de aluguel de carros. Vai como indigente. _ Interrompeu o que estava fazendo e virou-se para Giliard: _Mas nada disso atrapalhará a festinha de hoje, não é? Afinal, não é todo dia que você completa outra dezena. Consegui dar um perdido na Ceição e estou liberado até meia noite! Talvez até uma da manhã.

          Além de trabalhar na funerária, Giliard tinha uma marcenaria de fundo de quintal e fornecia caixões baratos para a cidade. Téo era coveiro, fotografo de funerais, recepcionista, despachante e faz-tudo da Bai-Bai. Ele saiu apressado para conseguir resolver a burocracia antes que o marido da defunta viesse reclamar o corpo.

          Giliard passou o corretivo no rosto dela para disfarçar as manchas da pele. O blush devolveu o jovial tom corado, necessário para o evento que se seguiria. Uma echarpe colorida cobriu o ferimento no pescoço. Estava pronta.

          _ O cabelo deve ser penteado para o outro lado.

          Penteou o cabelo para o lado oposto e deu o serviço por terminado. Fechou o caixão.

          Giliard tinha um dom. A comunicação com os desencarnado só ocorria se estivesse próximo aos seus restos mortais. Uma vez que o corpo era levado, tal ligação era quebrada. Nunca falara disso pra ninguém. Loucura tem cheiro ruim, e ele não queria que lhe apontassem o dedo.

          A Bai-Bai Serviços Funerários era procurada até mesmo por gente de fora de Caximbiribas. Tamanho sucesso era compreensível. A empresa conseguia fazer com que os mortos ficassem com uma aparência tão boa que parecia que eles mesmos se arrumavam, do jeitinho que faziam quando estavam vivos.

          “Dê uma recado para minha filha”, “Nunca gostei desse vestido”, “Quero ser enterrado com meu relógio de ouro”, “Achei o caixão cafonérrimo” Os pedidos eram seguidos a risca. O pobre homem não tinha tempo para mais nada. Seu dom se transformara em um fardo pesado demais para ser carregado sozinho. Até esse dia...´

           _ É você, Gil?

           _ Silvana? Perguntou surpreso.

           _ Ela mesma. Tinham se conhecido no orfanato e dado o primeiro beijo aos quinze ano.

 

Gênero textual: romance infantojuvenil de fantasia sobrenatural. Temas abordados: morte, luto, sobrenatural, amor, amizade...

 

 1. O trecho apresenta principalmente uma história sobre

A) o cotidiano de trabalhadores que atuam em uma empresa funerária.

B) o reencontro inesperado entre um homem e uma pessoa de seu passado.

C) as dificuldades enfrentadas por famílias durante os preparativos de enterros.

D) o trabalho de um funcionário que esconde suas habilidades dos colegas.

 

2. De acordo com o texto, por que a Bai-Bai Serviços Funerários era tão procurada?

A) Porque oferecia os enterros mais baratos para qualquer família da região.

B) Porque resolvia toda a documentação antes da chegada dos parentes.

C) Porque os mortos pareciam ficar arrumados como quando estavam vivos.

D) Porque atendia apenas moradores antigos da cidade de Caximbiribas.

 

3. Ao esconder seu dom de conversar com os mortos, Giliard demonstra que

A) prefere aceitar as opiniões dos outros sem fazer questionamentos.

B) evita revelar sua experiência por medo de ser julgado como louco.

C) deseja convencer as pessoas de que seu dom é verdadeiro.

D) pretende abandonar o trabalho para não lidar com os mortos.

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