ALUNO:____________________________________________DATA_________TURMA_______
CALEIDOSCOPIO
1. EU
Meu
nome é Clara. Tenho quase 14 anos. Tenho muitas dúvidas e algumas certezas.
Minha
maior certeza é: vou morrer algum dia.
Minha
maior dúvida é: será que sou normal?
2. JORGE
Você
pode estar achando minha dúvida esquisita, mas não é, e vou explicar por quê.
Minha
dúvida tem um nome: Jorge.
Jorge é
meu primo. Ele é um menino muito legal e eu gosto muito dele. Quando Jorge
nasceu, aconteceu alguma coisa que eu nunca entendi direito, apesar de minha
mãe já ter me explicado mais de mil vezes.
Ele
nasceu com algum negócio no coração, os médicos fizeram sei lá o quê e o
cérebro dele ficou um tempo sem oxigênio.
O
coração ficou perfeito, mas o cérebro não...
Meu
primo parece um menino igual aos outros, faz coisas que os outros também fazem,
mas ele é diferente.
Nunca
consegui descobrir se ele sabe disso. Se sabe que é diferente.
Ele vai
vivendo a vida e nunca ninguém toca nesse assunto.
É por
isso que me pergunto: será que eu também sou diferente?
E se
quando eu nasci aconteceu alguma coisa que deixou o meu cérebro diferente?
Ninguém iria me contar, certo? Nem falar sobre isso, como fazem com o Jorge.
Como vou saber?
1. No trecho “Ele nasceu com
algum negócio no coração...”, a palavra destacada refere-se a quem?
A) Ao médico que fez a cirurgia.
B) Ao primo Jorge.
C) Ao pai da narradora.
D) Ao cérebro citado.
2. No trecho “Minha dúvida tem um nome:
Jorge.”, a expressão “minha dúvida” refere-se a:
A) Um medo de morrer.
B) A dúvida sobre ser normal.
C) A explicação da mãe.
D) O problema do coração.
LAURA LEVOU O VENTO
E O VENTO LEVOU...
Ou o vento trazia? Onde parava de
soprar o que, pela cabeça de Laura, ia? Nas alturas, rente ao chão, espalhada
feito areia? Que mistério a tecia? Difusa sereia - plena luz ou meia-noite e
meia? Talvez por isso não parasse, nem ficasse, sempre fosse, fosse... Fosse
ela uma rocha, concreta, monolítica. Mas Laura era aérea, diziam os
professores. Etérea, suspiravam os enamorados. Eólica, afirmavam os colegas,
após uma aula sobre moinhos. Onde os olhos de Laura? Onde?
Onde
ninguém espia. Em coisa que não se admira: folha morta, sombra torta, hora
vadia. Laura olhava pela janela, sumia o dia. Que dia era agora? Ontem, hoje,
amanhã, que importa? Recordava a infância, enquanto a vivia, sentada no cais,
cai, não cai. Sem medo, que medo não tinha: o vento levou, desde cedo. O cabelo
preto riscava, de nanquim, o ar azul, ar bom de respirar. Ar: beijo de balão.
A
casa na ilha, janela pra todo lado. Todas abertas. Milhas e milhas de vento em
volta, ciranda de sopro. Ao voltarem da pescaria, ela e o padrinho foram
surpreendidos por tempestade em alto-mar. Guinchos de gaivotas, ondas revoltas,
espumas loucas. A menina tremia? Nada! Nem miava, nem gemia:
-
O vento é meu amigo. Está de mau humor, só isso.
Laura pousa em terra firme. Grita a madrinha, descabelada:
-
Filha, achei que jamais a veria! - e sapeca-lhe um
abraço de tirar o ar.
-
iam dia, convido o vento pra jantar. Garanto que ele
vem. Verão como se comporta bem. Perigo? Não tem!
3.
No trecho “sapeca-lhe um abraço de tirar o ar”, o pronome
destacado “lhe” refere-se a quem?
A)
Ao padrinho de Laura.
B)
À madrinha de Laura.
C)
À própria Laura.
D)
À tempestade no mar.
4.
No trecho “Garanto que ele vem. Verão como se comporta bem.”, a palavra “ele”
refere-se a:
A)
Ao padrinho de Laura.
B)
Ao vento.
C)
Ao mar.
D)
Ao abraço da madrinha.
MARIA
JOÃO
NASCI
Eu devo ter chorado muito assim que nasci e ganhei a primeira palmada. A
primeira da vida. Digo isso porque em toda a minha vida quase não chorei. Pelo
menos até agora. E olhe que não faltaram motivos. Em dois ou três momentos eu
chorei, sim. Simplesmente desaguei. Chorei de quase desidratar. Com o tempo
fiquei seca. Não tenho mais tempo para chorar, não. O tempo que eu tenho agora,
que é bem pouco, uso para escrever essa história. A minha história.
Já passei por poucas e boas. Boas e más. Alguns dias até que foram
alegres. Outros, muito tristes. Com todo mundo é assim, não é? Um dia bom,
outro ruim. Aprendi que a vida é isso: dias que se seguem, um depois do outro.
Esses dias vão nos moldando e nos fazendo ser quem a gente é. Como um colar de
conchas. Você vai colecionando conchinhas e depois vai montando. Enfiando na
linha uma conchinha de cada vez. Uma depois da outra. Algumas são perfeitas.
Outras não. Podem ser de cores e tamanhos diferentes. Você não encontra nenhuma
igual. Mas quando você termina de fazer o seu colar, mesmo imperfeito, o
conjunto é bonito de se ver. A minha vida é assim: imperfeita. Uma soma de dias
que vão se seguindo. Um do ladinho do outro.
Esta é minha história. Ao menos uma parte dela. Imperfeita. Mas
verdadeira. É assim que eu vou contar. Não preciso de inspiração; só de
memória.
Fui a sétima filha de uma família pobre. Pobre, pobre, pobre, de marré,
marré, marré. A única menina. Minha mãe morreu quando eu ia fazer sete anos.
Dizem que a cada sete anos acontece alguma coisa que muda tudo na vida da
gente. Mas eu acho que isso é mentira. Superstição. Sei lá. A minha vida muda
sempre. Todo dia.
5. No trecho “Algumas são perfeitas. Outras
não.”, a palavra “outras” retoma:
A) As cores e os tamanhos.
B) As famílias pobres.
C) As conchinhas do colar.
D) As lembranças da narradora.
COESÃO REFERENCIACAO CADERNO 8 ANO
O que é referenciação?
Referenciação é o recurso que usamos para retomar ou antecipar uma
informação em um texto, evitando repetir a mesma palavra várias vezes.
Ela ajuda o texto a ficar mais claro, organizado e fácil de entender.
Compare:
❌ João
encontrou Pedro na praça. João chamou Pedro para jogar.
✔ João
encontrou Pedro na praça. Ele chamou o amigo para jogar.
Nesse caso, ele retoma a palavra João e amigo
retoma a palavra Pedro.
A referenciação pode:
1. retomar uma informação por meio de
pronomes.
A palavra aparece primeiro e depois é retomada por um pronome.
Maria ganhou um prêmio. Ela ficou muito
feliz.
2. retomar uma informação por meio de
sinônimos.
O cachorro latiu muito. O animal estava
assustado.
3. antecipar uma informação
Primeiro aparece uma palavra que aponta para uma informação que será
apresentada depois.
Como identificar o referente?
Faça a pergunta: A quem ou a que essa palavra está se referindo?
Exemplo:
Ana pegou o livro porque ele estava na mesa.
Pergunta:
“Ele” refere-se a quem?
Resposta: Ao livro.
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