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sábado, 5 de outubro de 2019

IBAM PROVA JUNDIAI PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA QUESTÕES DE PORTUGUES



A DETERIORIZAÇÃO DA LINGUAGEM JORNALÍSTICA

Luciano Martins Costa

I._____ uma semana do encerramento deste que foi um dos anos mais intensos do jornalismo no Brasil, é preciso colocar em discussão uma questão que a imprensa evita o quanto pode: a linguagem jornalística dá conta de decifrar adequadamente a realidade?

II. Analisada contra o cenário deteriorado da mídia brasileira, a pergunta pode parecer impertinente e até mesmo cândida, uma vez que o campo da comunicação institucionalizada se deixou contaminar por outros vícios, que levaram ao fim da ilusão da objetividade e do pressuposto da honestidade intelectual como princípios fundadores da imprensa.

III._____ muitos outros aspectos a serem contemplados numa análise do que vem a ser o jornalismo nesse contexto, em que uma tecnologia de ruptura se impõe ao mesmo tempo em que a gestão dos principais veículos da mídia tradicional se concentra e verticaliza. Esse movimento do sistema da imprensa para dentro de si mesmo bloqueia a inovação e condiciona as iniciativas a uma doutrina que em tudo é contrária ao espírito de liberdade do jornalismo.

IV. A doutrina conservadora que domina a imprensa no Brasil levanta um muro de contenção para a criatividade, desestimula os espíritos livres e encoraja a mediocridade com melhores oportunidades de carreira. O fato de que os nomes mais lustrosos da mídia nacional, aqueles que mais vezes conquistam o espaço nobre dos noticiários, são justamente os que cumprem com entusiasmo o trabalho sujo da manipulação, é causa de empobrecimento da cultura jornalística. Existem, mas são raros os profissionais que, descolando-se da orientação centralizadora, ganham distinção pelo trabalho independente e de qualidade.

V.___(A)___ a gestão vertical e centralizada resulta num jornalismo mais pobre, burocrático e em linha direta com a opinião do comando das empresas de comunicação?  ___(B)____ a atividade jornalística exige que, na origem, o material que vai compor o noticiário e o conjunto de opiniões seja colhido livremente, condicionado apenas pela ética – e seja trabalhado até a edição final sob o crivo das múltiplas possibilidades de interpretação.

VI. A observação diária e por longo prazo da mídia tradicional no Brasil induz a concluir que a ligação direta entre os donos das empresas e as bases da redação limita as possibilidades de interpretação dos acontecimentos.

VII. Décadas atrás, quando as redações eram caracterizadas pela diversidade, o debate se fazia desde a pré-pauta, e os repórteres tinham um papel mais ativo na discussão sobre o que era importante em cada edição. Com as principais reportagens direcionadas desde a pauta até a manchete, o sinal que se dá aos repórteres é que, se quiserem subir na carreira, têm que ser principalmente dóceis ao comando. Esse é um elemento limitador da linguagem jornalística.

1. As lacunas presentes no início dos parágrafos I e III deverão ser preenchidas, observando o rigor da norma culta, conforme o indicado em qual alternativa.
a)  I - Há; III - A
b)  I - À; III - A
c)  I - A; III - Há
d)  I - Há; III - A
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2. Segundo o autor, a pergunta lançada no primeiro parágrafo pode parecer "impertinente e até mesmo cândida" considerando o teor do texto, isso equivale a dizer que ela pode parecer:
a)  arrogante e ultrapassada
b)  contumaz e capciosa
c)  inoportuna e ingênua
d)  propicia e pueril
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3. Da leitura do texto não é possível inferirmos tão somente o asseverado em qual alternativa?
a) A comunicação institucionalizada deixou-se contaminar por vícios que levaram ao fim da ilusão da objetividade.
b)  Evidencia-se, no que se refere a mídia tradicional, uma centralização e uma verticalização na gestão de seus principais veículos.
c)  A tendência de o sistema de imprensa mover-se para dentro de sistema redunda no bloqueio da inovação e contraria o espírito de liberdade do jornalismo.
d)  o fim da ilusão da objetividade deu-se a partir da interiorização, nos meios de comunicação, dos princípios que sempre nortearam a imprensa.
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4.  Segundo o autor, o empobrecimento da cultura jornalística atrela-se a qual dos seguintes fatos?
a)  Os nomes mais lustrosos do jornalismo perderam espaço considerável nos noticiário do horário nobre.
b)  Espíritos livres do jornalismo encorajam a mediocridade que hoje domina os principais meios de comunicação.
c)  A orientação centralizadora dos meios de comunicação vedou melhores oportunidades de carreira aos destituídos de formação jornalística.
d)  As figuras mais destacadas na mídia nacional aquiescem em cumprir o trabalho de manipulação do público.
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"Existem, mas são raros os profissionais que, descolando-se da orientação centralizadora, ganham distinção pelo trabalho independente e de qualidade" - parágrafo IV.

O parágrafo acima será utilizado na resolução das questões 5 a 7.

5. O período do exemplo foi reescrito de modo a se preservar seu sentido original e a adequação à norma culta em qual alternativa?
a)  Há, mas raros são os profissionais que ganham distinção pelo trabalho independente e de qualidade, descolando-se da orientação centralizadora.
b)  Raros são os profissionais que ganham distinção pelo trabalho independente e de qualidade, mas existem descolando-se da orientação centralizadora.
c)  Existem profissionais que ganha distinção descolando-se da orientação centralizadora, a despeito do trabalho impendente e de qualidade, são raros, mas há.
d)  Profissionais que ganham distinção pelo trabalho independente e de qualidade são raros, mas, descolando-se da orientação centralizadora, existe.

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6. O elemento sublinhado exerce, no caso, a função de:
a)  pronome apassivador.
b)  índice de indeterminação do sujeito.
c)  substantivo.
d)  parte integrante do verbo.

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7. Sobre o elemento em itálico, é valido asseverar que:
a)  exprime, no caso, restrição.
b)  no contexto, classifica-se como advérbio.
c) assume o mesmo sentido do contido na sentença: comemorou muito, mas muito mesmo.
d)  denota corroboração do período que lhe antecede.
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8.  Para que esteja redigido em consonância com a norma culta, os espaços A e B do parágrafo V deverão ser preenchidos conforme o indicado em:
a)  A - Por quê; B - Porque.
b)  A - Por que; B - Por quê.
c)  A - Por que; B - Porque.
d)  A - Porquê; B - Porque.

9.  Analise as proposições seguintes.

A. "a linguagem jornalística da conta de decifrar adequadamente a realidade? - a linguagem jornalística revela-se hábil a desvendar adequadamente a realidade?
B.  "A doutrina conservadora que domina a imprensa no Brasil levanta um muro de contenção para a criatividade" - Os princípios conservadores que norteiam a imprensa no brasil favorecem a exacerbar da criatividade.
C. "Os profissionais que descolando-se da orientação centralizadora, ganham distinção pelo trabalho independente" - os profissionais que, alinhando-se à orientação centralizadora, ganham distinção pelo trabalho independente.
D. "e seja trabalhado até a edição final sob o crivo das múltiplas possibilidades de interpretação" - e seja laborado até a edição final isentando-se das múltiplas possibilidades de interpretação.

A correta interpretação do excerto apresentado deu-se adequadamente em:

a)  uma das proposições somente.
b)  duas proposições somente.
c)  três proposições somente.
d)  todas as proposições apresentadas.
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10. Avalie os elementos sublinhados em cada um dos excertos seguintes.
A - "uma questão que a evita quanto pode".
B - no Brasil induz a concluir que".
C - "muitos outros aspectos a serem comtemplados".
D - "encoraja a mediocridade com melhores oportunidades de carreira".

Considerando-os sob o ponto de vista morfológico, é valido afirmar que:
a)  três deles classificam-se como artigo e um como preposição.
b)  dois deles classificam-se como artigo e dois como preposição.
c)  um deles classifica-se como artigo e três como preposição.
d)  temos, no caso, dois artigos, um pronome e uma preposição.
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11. Leia os trechos seguintes e avalie os vocábulos neles sublinhados.
I.  " A deterioração da linguagem jornalística" - título.
II. "Analisada contra o cenário deteriorado da mídia brasileira" - parágrafo II.

Agora, assinale a alternativa verdadeira.
a)  Em ambos observamos a ocorrência de hiatos.
b)  Nos dois o número de fonemas é superior ao de letras.
c)  Há ocorrência de hiato em I e de ditongo em II.
d)  Em I o número de letras é superior ao de fonemas; em II ocorre o inverso.
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CLIC

Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?
O cidadão inventou um nome.
— Taborda. Sou primo dele.
— Primo do Amleto?
— É. De Quaraí.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
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12. O texto em referência foi publicado originalmente em 2000 e nele mantivemos sua grafia original. Assinale a alternativa que contém o excerto no qual um vocábulo está incorretamente acentuado em face das mudanças introduzidas pela recente reforma ortográfica da língua portuguesa.

a) "Deu parte do roubo, depois teve uma idéia".
b)  "Quer chamá-lo, por favor?"
c)  "De Quaraí"
d) "Ele recém comprou".
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13. Sobre o texto de Verissimo, é correto asseverar que:

a)  o autor optou por redigi-lo integralmente utilizando o discurso direto.
b)  há passagens em que o autor optou pelo discurso direto, como em "De Quaraí" em outras pelo discurso indireto livre, como em "- Eu posso anotar o recado?".
c) foi redigido predominantemente utilizando-se do discurso indireto; na passagem - "O cidadão inventou um nome".-, contudo, optou-se pela adoção do discurso direto livre.
d)  nele observamos a presença predominante do discurso direto e eventuais passagens redigidas na forma de discurso indireto.
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14.  Analisando-se os dois textos apresentados, podemos afirmar que:
a)  o primeiro texto, de autoria de Luciano Martins Costa é um texto dissertativo do tipo não argumentativo, no qual não observamos a tentativa de influenciar o leitor, o segundo, de Verissimo, trata-se também de um texto dissertativo, porém, de caráter argumentativo.
b)  a presença de personagens e elementos de clímax permite-nos classificar o texto de Luís Fernando Verissimo como uma crônica narrativa; o de Luciano Martins Costa, por sua vez, no qual há a predominância da utilização do predicado verbal, bem como o emprego de metáforas e comparações, como descritivo.
c)  o de Luciano Martins Costa é um texto dissertativo argumentativo, nele inferimos pontos de vista do autor a respeito do assunto tratado, já o de Luís Fernando Verissimo melhor se enquadra no estilo narrativo, com a presença de personagens, espaço e tempo.
d)  em ambos os textos observamos a presença de elementos narrativos, descritivos e dissertativos.
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15. Leia e avalie os períodos apresentados em I,II e III.
I.   Não contive-me expulsei-o de minha casa assim que soube do seu comportamento inadequado.
II.   Assisti confortavelmente acomodado no sofá da minha sala o filme que, segundo a crítica, apresenta enredo tão controverso.
III.   Ao sair do palco, comprimentou graciosamente o público que ali aparecera para lhe prestar justa homenagem.

No que se refere aos chamados vícios de linguagem, o que é correto afirmar?

a)  Em I observamos a chamada cacofonia, que consiste no erro de grafia de um vocábulo; em II, um desvio no tocante a sintaxe no que concerna à concordância; em III, contudo, não foram detectados quaisquer desvios da norma padrão.
b)   Em I não foram observados quaisquer afrontas à norma culta; em II, e III, todavia, constatamos desvios no tocante à semântica  - em II no que se refere a regência de um verbo e em III na concordância nominal.
c)   Foram observados os chamados barbarismos nos três exemplos; em I e III, no tocante à grafia de um vocábulo e, em III, a chamada silabada - erro na pronuncia do acento tônico.
d)  Em I e II observamos desvios da norma no que concerne à sintaxe - em , no tocante à colocação pronominal, em II, à regência; em III, por sua vez, observamos desvio semântico, pelo emprego  inapropriado de um vocábulo.



 1.C

2.C
3.D
4. D
5. A
6. X
7.A
8.C
9. A
10. B
11. C
12. A
13. D
14. C
15. D




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