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terça-feira, 15 de setembro de 2026

COESÃO - IDENTIFICAR SUBSTITUIÇÃO 8 ANO

 

ALUNO:_________________________________________DATA_________TURMA_______

 ORIENTAÇÕES:

1. Leia a pergunta.

2. Destaque o fragmento no texto.

3. Leia a frase anterior ou o parágrafo.

 

CALEIDOSCOPIO

1. EU

          Meu nome é Clara. Tenho quase 14 anos. Tenho muitas dúvidas e algumas certezas.

          Minha maior certeza é: vou morrer algum dia.

          Minha maior dúvida é: será que sou normal?

2. JORGE

          Você pode estar achando minha dúvida esquisita, mas não é, e vou explicar por quê.

          Minha dúvida tem um nome: Jorge.

          Jorge é meu primo. Ele é um menino muito legal e eu gosto muito dele. Quando Jorge nasceu, aconteceu alguma coisa que eu nunca entendi direito, apesar de minha mãe já ter me explicado mais de mil vezes.

          Ele nasceu com algum negócio no coração, os médicos fizeram sei lá o quê e o cérebro dele ficou um tempo sem oxigênio.

          O coração ficou perfeito, mas o cérebro não...

          Meu primo parece um menino igual aos outros, faz coisas que os outros também fazem, mas ele é diferente.

          Nunca consegui descobrir se ele sabe disso. Se sabe que é diferente.

          Ele vai vivendo a vida e nunca ninguém toca nesse assunto.

          É por isso que me pergunto: será que eu também sou diferente?

          E se quando eu nasci aconteceu alguma coisa que deixou o meu cérebro diferente? Ninguém iria me contar, certo? Nem falar sobre isso, como fazem com o Jorge. Como vou saber?


1. No trecho “Ele nasceu com algum negócio no coração...”, a palavra destacada refere-se a quem?

A) Ao médico que fez a cirurgia.

B) Ao primo Jorge.

C) Ao pai da narradora.

D) Ao cérebro citado.

 

2. No trecho “Minha dúvida tem um nome: Jorge.”, a expressão “minha dúvida” refere-se a:

A) Um medo de morrer.

B) A dúvida sobre ser normal.

C) A explicação da mãe.

D) O problema do coração.

 

LAURA LEVOU O VENTO

 E O VENTO LEVOU... 

           Ou o vento trazia? Onde parava de soprar o que, pela cabeça de Laura, ia? Nas alturas, rente ao chão, espalhada feito areia? Que mistério a tecia? Difusa sereia - plena luz ou meia-noite e meia? Talvez por isso não parasse, nem ficasse, sempre fosse, fosse... Fosse ela uma rocha, concreta, monolítica. Mas Laura era aérea, diziam os professores. Etérea, suspiravam os enamorados. Eólica, afirmavam os colegas, após uma aula sobre moinhos. Onde os olhos de Laura? Onde?

          Onde ninguém espia. Em coisa que não se admira: folha morta, sombra torta, hora vadia. Laura olhava pela janela, sumia o dia. Que dia era agora? Ontem, hoje, amanhã, que importa? Recordava a infância, enquanto a vivia, sentada no cais, cai, não cai. Sem medo, que medo não tinha: o vento levou, desde cedo. O cabelo preto riscava, de nanquim, o ar azul, ar bom de respirar. Ar: beijo de balão.

          A casa na ilha, janela pra todo lado. Todas abertas. Milhas e milhas de vento em volta, ciranda de sopro. Ao voltarem da pescaria, ela e o padrinho foram surpreendidos por tempestade em alto-mar. Guinchos de gaivotas, ondas revoltas, espumas loucas. A menina tremia? Nada! Nem miava, nem gemia:

-                   O vento é meu amigo. Está de mau humor, só isso. Laura pousa em terra firme. Grita a madrinha, descabelada:

-                   Filha, achei que jamais a veria! - e sapeca-lhe um abraço de tirar o ar.

-                   iam dia, convido o vento pra jantar. Garanto que ele vem. Verão como se comporta bem. Perigo? Não tem!

 

3. No trecho “sapeca-lhe um abraço de tirar o ar”, o pronome destacado “lhe” refere-se a quem?

A) Ao padrinho de Laura.

B) À madrinha de Laura.

C) À própria Laura.

D) À tempestade no mar.

 

4. No trecho “Garanto que ele vem. Verão como se comporta bem.”, a palavra “ele” refere-se a:

A) Ao padrinho de Laura.

B) Ao vento.

C) Ao mar.

D) Ao abraço da madrinha.

 

MARIA JOÃO

NASCI

          Eu devo ter chorado muito assim que nasci e ganhei a primeira palmada. A primeira da vida. Digo isso porque em toda a minha vida quase não chorei. Pelo menos até agora. E olhe que não faltaram motivos. Em dois ou três momentos eu chorei, sim. Simplesmente desaguei. Chorei de quase desidratar. Com o tempo fiquei seca. Não tenho mais tempo para chorar, não. O tempo que eu tenho agora, que é bem pouco, uso para escrever essa história. A minha história.

         Já passei por poucas e boas. Boas e más. Alguns dias até que foram alegres. Outros, muito tristes. Com todo mundo é assim, não é? Um dia bom, outro ruim. Aprendi que a vida é isso: dias que se seguem, um depois do outro. Esses dias vão nos moldando e nos fazendo ser quem a gente é. Como um colar de conchas. Você vai colecionando conchinhas e depois vai montando. Enfiando na linha uma conchinha de cada vez. Uma depois da outra. Algumas são perfeitas. Outras não. Podem ser de cores e tamanhos diferentes. Você não encontra nenhuma igual. Mas quando você termina de fazer o seu colar, mesmo imperfeito, o conjunto é bonito de se ver. A minha vida é assim: imperfeita. Uma soma de dias que vão se seguindo. Um do ladinho do outro.

          Esta é minha história. Ao menos uma parte dela. Imperfeita. Mas verdadeira. É assim que eu vou contar. Não preciso de inspiração; só de memória.

          Fui a sétima filha de uma família pobre. Pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré. A única menina. Minha mãe morreu quando eu ia fazer sete anos. Dizem que a cada sete anos acontece alguma coisa que muda tudo na vida da gente. Mas eu acho que isso é mentira. Superstição. Sei lá. A minha vida muda sempre. Todo dia.

 

5. No trecho “Algumas são perfeitas. Outras não.”, a palavra “outras” retoma:

A) As cores e os tamanhos.

B) As famílias pobres.

C) As conchinhas do colar.

D) As lembranças da narradora.

 

 

CORDEL - POR CAUSA DO RAIMUNDO JOÃO FACUNDO REVIROU O MUNDO

 


Lá em casa reza a lenda

Não sei se é verdade ou não,

Que o avô do meu avô,

Cujo nome era João,

Tinha sido cangaceiro

Do bando de lampião.

 

Vou contar, assim, a história

Desse sujeito de sorte.

Era um rapaz magricelo,

Não era fraco nem forte.

Não tinha medo da vida,

Só tinha medo da morte.

 

No sertão a vida é dura,

Uma sede de dar dó!

A comida é sempre pouca:

Charque, farinha e jiló.

No meio dessa desgraça,

O rapaz vivia só.

 

Trabalhava capinando,

Mas sonhava outro destino.

Pensava correr o mundo,

Traçar um novo caminho.

Resolveu seguir viagem

Pelo sertão nordestino.

 

Arrumou a sua trouxa

Com os pertences que tinha:

Três camisas e a medalha

Que lhe dera sua mãezinha,

Uma atiradeira velha

E uma calça sem bainha.

 

O rapaz ouviu dizer

Que, lá por aquelas bandas,

Vinha chegando uma corja

De cangaceiros pilantras,

Bandoleiros assassinos:

Lampião e seus capangas.


 

6. No trecho: “No meio dessa desgraça, o rapaz vivia só.”, a expressão “dessa desgraça” refere-se a qual situação apresentada anteriormente no texto?

A) À vida difícil no sertão, com seca e pouca comida.

B) À viagem feita pelo rapaz em busca de outro destino.

C) Ao encontro com Lampião e seus cangaceiros no sertão.

D) À medalha que a mãe entregou ao filho antes da partida.

 

7. A expressão “desse sujeito de sorte” retoma quem no texto?

A) O avô do meu avô, chamado João.

B) O líder do bando de Lampião.

C) O sertão descrito no poema.

D) Os cangaceiros que viajavam.

 

CARUÁ- CONTOS DO SERTÃO - ZÉ TIBÉRIO

 


Chegou foi atrasado.

O pai queria parto forçado

Mas a mãe quis esperar.

Pressa não há de ajudar.

 

Pediu benção ao padre Malaquias

E confiou em Deus.

No décimo mês de gravidez

Zé Tibério nasceu

 

Filho assim nunca se viu.

Desventurada a mãe que pariu.

Estão dizendo que o menino

Não é normal.

 

É esquisito, é?

Ouvi falar que é pequeno demais.

Como pode nascer de dez meses

E ser minimizado?

 

Atrasado e minguado.

Será verdade o que o povo diz?

Só vendo com os próprios olhos.

Coitado!

 

Pouco tempo e Zé Tibério virou lenda.

A cidade inteira quis conhecer o diferente.

Durante o dia, a fila virava o quarteirão.

À noite, o menino chorava de tanta agitação.

 

A mãe ficou nervosa, o pai proibiu visita.

Trancou o portão e decretou que em casa

Não entraria mais ninguém.

Tiberinho iria crescer em paz.

 

Desse dia em diante, ninguém mais

Viu o menino demorado.

Na escola, não foi matriculado.

Sua mãe o alfabetizou.

 

Zé Tibério era todo particular.

Acostumado a ser reservado

Inventava a própria rotina.

E fazia tudo do seu jeito.

 

No nascer da manhã, dormia.

Na hora do almoço, tomava café.

No final da tarde, almoçava.

À noite, estudava.

 

Só mais tarde jantava.

Brincava antes de dormir.

E se entregava ao sono

No avançado da madrugada.


8. No trecho: “A cidade inteira quis conhecer o diferente.”, a expressão “8. ” retoma quem no texto?

A) O padre que deu a bênção.

B) O pai que proibiu visitas.

C) O menino Zé Tibério.

D) O povo da cidade.

 

9. “A mãe ficou nervosa, o pai proibiu visita. Ele trancou o portão e decretou que em casa não entraria mais ninguém.” A quem o pronome pessoal “Ele” se refere?

A) Ao padre Malaquias.

B) Ao pai de Zé Tibério.

C) Ao menino Zé Tibério.

D) Ao povo da cidade.